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Análise · Política & Poder · Eleições

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O mapa da abstenção nas pesquisas de agosto

Quem não responde já decide o método. A margem dos institutos aperta. O eleitor silencioso pesa mais no Nordeste urbano e no interior de São Paulo.

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Bio e perfil1 min · 305 palavras

Sofia Klein integra a equipe editorial do Grupo Estrato na função de Editora do Data Estrato. Editora do Data Estrato. Responsável por rankings e pelo Impostômetro editorial. Fontes primárias primeiro. Número sem documento não entra na lead.

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A urna é o dado. A pesquisa é o modelo. A abstenção é o ponto cego.
A urna é o dado. A pesquisa é o modelo. A abstenção é o ponto cego. · Agência Estrato / foto ilustrativa

Os institutos de pesquisa chegaram a agosto com a mesma dificuldade. A taxa de recusa sobe. O eleitor que não atende não é neutro. Concentra-se em recortes de renda e de território que já decidiram eleição. Data Estrato cruzou as notas metodológicas públicas de quatro institutos. O que aparece não é um número de candidato. É um buraco.

O que aconteceu

As notas de agosto admitem mais tentativas por entrevista concluída. O recorte presencial sofre em condomínio. O recorte telefônico sofre em DDD de capital. Os institutos ponderam por voto anterior e por escolaridade. A ponderação corrige o que conhece. Não corrige o que recusou.

Contexto

A 45 dias do primeiro turno, campanhas leem pesquisa como ordem de gasto. Se o modelo superestima um recorte, o outdoor vai para o lugar errado. A abstenção real de outubro é outro fenômeno. Recusa de pesquisa não é abstenção. Mas as duas se alimentam do mesmo cansaço. O eleitor que não atende o instituto é primo do que não sai de casa no domingo.

Dados

Nas notas públicas, a taxa de recusa varia entre institutos porque a conta não é padronizada. O que se padroniza é o recorte. Capital do Nordeste, periferia de São Paulo e cidades médias de Minas aparecem como zonas de esforço extra. A margem de erro divulgada não incorpora esse viés. Incorpora amostragem aleatória. A recusa não é aleatória.

O que muda

Campanhas de palanque digital podem estar falando com o eleitor que atende. Campanhas de base podem estar falando com o que não atende. Os dois lados superinterpretam o mesmo gráfico. O gráfico deveria vir com um aviso. Este recorte recusou. O aviso não cabe no selo de TV.

O que observar

A primeira pesquisa presencial de setembro com taxa de recusa aberta. O comparecimento em eleições municipais de 2024 como proxy territorial. Qualquer instituto que mude o peso de voto anterior sem explicar.

Fontes verificadas

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