Regulação
Mercado de carbono brasileiro emperra no Senado
O texto do sistema regulado esbarra em conflito entre agro, energia e indústria. Sem rito, o voluntário segue como Faroeste de selo.
Editora-chefe de Sustentabilidade
Bio e perfil1 min · 297 palavras
Marina Couto integra a equipe editorial do Grupo Estrato na função de Editora-chefe de Sustentabilidade. Editora-chefe da vertical Clima. Leitura de INPE, Ibama e mercado voluntário. Fontes primárias primeiro. Número sem documento não entra na lead.

O projeto do sistema brasileiro de comércio de emissões parou no Senado. Agro, energia e indústria não fecham o artigo de alocação livre. Enquanto o rito não anda, o mercado voluntário segue vendendo crédito com metodologia privada e auditoria desigual.
O que aconteceu
A comissão de meio ambiente devolveu o texto com destaques. A principal trava é o percentual de permissões gratuitas para setores expostos a comércio internacional. A indústria quer mais. O agro quer ficar de fora do regulado e dentro do voluntário. A energia quer reconhecimento de hidrelétrica antiga como crédito, o que esvaziaria o preço. O relator não tem voto para nenhum dos três desenhos completos.
Contexto
Mercado regulado é o que a Europa tem. Voluntário é o que o Brasil tem. O voluntário financiou projeto bom e projeto de papel. Compradores europeus apertaram a régua depois de escândalos de adicionalidade. O Congresso brasileiro discute o regulado como se fosse política ambiental. É política industrial. Quem ganha permissão gratuita ganha ativo. Quem fica de fora compra o ativo do outro.
Dados
O preço do crédito voluntário brasileiro varia demais para ser índice. Lotes de qualidade auditada saem com prêmio. Lotes opacos saem com desconto e ainda encontram comprador doméstico de relatório ESG. Consultorias estimam que o regulado, se nascer com teto crível, criaria um preço de referência. Sem teto crível, cria um balcão. O Senado está no segundo desenho.
O que muda
Empresas com meta de 2030 continuam no voluntário e pagam o risco reputacional. O agro continua a vender narrativa de carbono no solo sem padrão único. A diplomacia climática brasileira chega em conferência com discurso e sem mercado. O discurso já não compra cláusula.
O que observar
O destaque das permissões gratuitas. A posição do Ministério da Fazenda, que trata carbono como receita potencial. Qualquer emenda que reconheça hidrelétrica antiga como crédito novo.